Wednesday, November 30, 2005

quase lá

acorda paulo torre vive, pensa paulo torre vive, estressa paulo torre vive, chora paulo torre vive, grita paulo torre vive, reclama paulo torre vive, conversa paulo torre vive, estuda paulo torre vive, almoça paulo torre vive, namora paulo torre vive, lancha paulo torre vive, toma banho paulo torre vive, pega onibus paulo torre vive, janta paulo torre vive, dorme paulo torre vive.


ok, se não ficar bom eu me jogo da ponte, e tenho dito.


a divulgação bonita vem depois. aliás, alguém que lê isso não sabe ainda?

Friday, November 25, 2005

lilás

o som que ecoa dos paralelamente quadrados. sempre quis entender aqueles gestos combinados, o pensamento. ninguém nega que combinam as notas de um modo único e o som parece desenhar no ar. sempre colorido, mas prefere os tons lilás. o lilás tem um sentimento de nostalgia, consegue ser alegre e incômodo ao mesmo tempo. há algum tempo pintei minha casa de lilás e combinado com lírios deu um clima fúnebre. foi estranho pela primeira vez ver essa cor de um jeito diferente. tirei os lírios, coloquei girassóis e agora a casa é só sorrisos. mas quando toca aquele som... quando toca é quase sublime. um fusão incontrolável de paradoxos, um ser-não-ser e no fundo a música que cria imagens no ar. e nao, as imagens nao se perdem. Ficam guardadas nas paredes lilás.

Thursday, November 17, 2005

o quereres

O quereres e o estares sempre a fim
do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti,
mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal,
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há
e do que não há em mim

Deixa eu cantar.


mais uma semana cheia de trabalhos, resumos, provas, pessoas desanimadas, eu desanimada, falta a criatividade.
fim.

Saturday, November 12, 2005

vital é não estar aqui

nessa tarde fria,
com mamãe gritando todas as razões de eu não ter viajado no feriado
e achando o máximo eu estar ultra-gripada,
nao querer sair hoje a noite,
e estar chovendo sem parar,
é que me dá vontade de sumir daqui.

o que sobrou?
filmes, resumo do carminatti,
reportagem do malini,
conversas saudosas por msn,
edredom.
alguns amigos longe.
carros com chiclete com banana na maior altura.


tédio.

Monday, November 07, 2005

cariocas têm sotaque

:. e se eu me perdesse assim, num sonho bom
quem ousaria dizer se foi assim,
quem irá dizer que é ruim? .:


de volta do Rio com empolgação,
das pessoas lindas e bem vestidas, mulheres e homens.
dos programas tipicamente cariocas:
*andar no calçadão no fim da tarde.
*ir na cafeteria seja as 5 da tarde ou da manhã
*passear pela livraria por algumas horas, e as livrarias não serem dentro de shoppings-inferno
*ter milhares de bares e festas pra ir, sem saber qual fazer
*ter engarrafamento no domingo, e sim, a cidade não pára, nem de madrugada, nem domingo a tarde.
*não ter só uma opção no domingo, não ter q ouvir que tá todo mundo no pagofunk. aliás, lá existe pagofunk? acho que não, hein.

de ter uma vontade incontrolável de ter minha casinha,
de querer morar lá de novo,
mas de nao conseguir ir embora daqui porque amo tanto.

de querer voltar e ficar por mais tempo na próxima.

Friday, November 04, 2005

cariocas não gostam de sinal fechado

agora, depois de uma semana sem internet, falta tempo.

sim, porque estou indo pro Rio passar o final de semana.
essa é a primeira vez que eu vou pro e vou conhecer o Rio. Sim, já fui pelo menos umas 50 vezes lá, mas nunca conheci, de andar, ver pessoas, sair para os lugares, tomar café a tarde, ir no cinema, sair pros bares.

e que o avião não sacuda muito. amém.

já volto.
até domingo!
porque Vitória cansa de vez em quando.

Thursday, October 27, 2005

Culture Jamming

taí algo que é extremamente interessante e nem tão longe da nossa realidade... é grande mas vale a pena.

post em homenagem as queridas publicitárias vendidas... especialmente dona maria e fernandinha

Culture Jamming é o nome que se dá à prática de parodiar peças publicitárias e utilizar os outdoors adulterando e alterando suas mensagens de forma drástica. Considerado um dos maiores expoentes nessa prática, o americano Rodriguez de Gerada prefere a expressão “arte do cidadão”, e não “arte de guerrilha”. Ao contrário dos publicitários, afirma Rodriguez, esse trabalho implica uma discussão quanto às políticas de espaço público na comunidade em que for colocado.
Os adbursters (ou subverting, subversão da publicidade, como são chamados em Londres) acreditam que o público tem o direito de responder às imagens que nunca pediram para ver. O termo culture jamming foi cunhado em 1984 pela banda americana de audiocolagem Negativeland. Mas a questão vai muito mais longe, “tentar apontar as raízes da culture jamming é quase impossível, em grande parte porque a prática é em si mesma uma mistura de graffite, arte moderna, filosofia punk faça-você-mesmo e molecagem antiquíssima”.
Robin-hoodismo semiótico, é disso que parece se tratar aqui, sugere Naomi. Seus militantes não acreditam mais que o espaço livre de propaganda pode ser conseguido pacificamente. “A culture jamming rejeita frontalmente a idéia de que o marketing – porque compra sua entrada em nossos espaços públicos – deve ser aceito passivamente como um fluxo de informação unilateral”.
Radicalizar a verdade na publicidade, produzir contramensagens que interferem com a comunicação do anunciante para revelar a verdade mais profunda oculta nos eufemismos publicitários. Seus trabalhos vão de paródias de propagandas à interseções no outdoor original.
“(...)A única ideologia que une o espectro de culture jamming é a crença de que a livre expressão não tem sentido se a cacofonia comercial aumentou ao ponto de ninguém mais lhe ouvir”. Ninguém pode negar o bombardeio a que somos submetidos. Lembrem-se da patética superexpsição do nu feminino na propaganda, nos filmes, nas novelas… Não se trata nem de menosprezar a nudez do corpo nem a nudez feminina. Também não se trata de pura e nefasta tentativa de diminuir as mulheres que acreditam numa busca da beleza ideal. Entretanto, temos que admitir que fomos tão intoxicados com a avalanche da mesma representação do mesmo ideal de beleza, que estamos nos tornando insensíveis ao fato de que se tratam de representações e não da realidade viva dos corpos. Na crença de que este ideal é um produto à venda no mercado, nem cogitamos mais na hipótese de que beleza talvez seja um estado de espírito. Estamos narcotizados com esta “cacofonia comercial” que diz que a beleza pode ser comprada !!!
A reação a essa cacofonia comercial levou a culture jamming a se espalhar em redes de organizações coletivistas de mídia. Descentralizadas e anárquicas, combinam a subversão da publicidade com a publicação de zines, rádios piratas, vídeos ativistas, desenvolvimentos na internet (o que inclui hackers invadindo sites de grandes corporações) e militância comunitária. Vejamos um exemplo. Trata-se da questão do cigarro, mas imaginem quanto resta a ser feito em relação ao machismo presente na propaganda que utiliza o nu feminino ?
“Uma culture jam bem divulgada surgiu no outono americano de 1997 quando o lobby antitabaco de Nova York comprou centenas de placas publicitárias de táxis para apregoar as marcas de cigarro ‘Lodo da Virgínia’ (Virginia Slime) e ‘País do Cancêr’ (Cancer Country). Em toda Manhattan, quando os táxis amarelos ficavam presos nos engarrafamentos, as propagandas jammed se acotovelavam com as das empresas de cigarros”.


mais em:
http://www.afm.org.br/artigo17a.htm
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/03/248962.shtml
http://www.rizoma.net/interna.php?id=135&secao=intervencao
http://www.ladonegro.net/cat_activismo_liberdade.html?page=5




contracultura é o que há. me sentindo agora militante contra a ditadura (nããão!). mas sempre lembrando que eu sou "militantezinha de merda", aqui se encerra o post em homenagem a minha queridas publicitárias vendidas... :***

Wednesday, October 26, 2005

tempo mano velho

dona luh adverte:
formar chapa pro CA causa stress, cansaço mental, e afastamento dos amigos queridos.


desânimo da vida. agora tudo pesa demais.
acontece que eu não queria ter visto esse lado de ninguém. não queria que tudo acontecesse do jeito que está acontecendo, não queria que já começasse errado pra mim. é muito dificil ver tudo sufocando muito rápido e não ter tempo de reagir. talvez seja esse o grande aprendizado que eu tanto ouvi falar. mas estou com medo, muito medo do que pode vir. mais do que nunca, as dúvidas...
nhá.

Thursday, October 20, 2005

hard to explain

toques no piano que escorrem dos meus olhos. se esvaem das mãos. eu sorrio, mordo as unhas. ensaio um olhar discreto. espero cheiros cheios de intenção. saudades estranhas me esperam. barulhos que pesam no ar. eles me deixam aqui, fico sozinha mas ainda assim não tenho medo. poderia estar no balanço da estrada, com os sorrisos, com o brilho nos olhos. mas agora só a lua brilha, som dos olhares no chão. as construções em ruínas. carros, ruas, luzes, tudo rápido, imagens, sua boca e no ventilador vermelho rodando o barulho constante. iconofagia em sonho. me perco nas imagens que rodam. silêncio. você do meu lado na cama e os nossos olhos fechados.

Oh, we shared some ideas
All obsessed with fame
Says we're all the same
Oh, I don't see it that way
I don't see it that way

Monday, October 17, 2005

assim se passaram dez anos

eu sei que essas duas últimas semana passaram em cinco segundos e que foram tantas as coisas que aconteceram. não vou dizer que eu passei mais de uma semana sem escrever aqui porque simplismente não tenho inspiração pra escrever. não vou pensar que a nossa chapa pro CA tá inscrita e agora aponta pra fé e rema.

enfim, não podia deixar passar em branco.

é complicadíssimo começar. não sei bem o que dizer... é só uma mistura de vários sentimentos de intensidade variante. foram tantas milhares de coincidências desde algum tempo atrás. e hoje sim, é o dia que faz dez anos que meu pai morreu e amanhã é o dia mundial da democratização da comunicação.
imaginei de várias formas como seria se ele ainda estivesse vivo. de como seria minha relação com ele, de como eu seria, do susto (ou orgulho) que ele tomaria quando eu falasse: "pai, vo fazer vestibular pra jornalismo", o quem sabe eu até estivesse fazendo outro curso. será que eu iria morar aqui, estudar nos mesmos lugares, passar na ufes... não sei. talvez minha vida fosse muito parecida com o que é hoje, talvez fosse completamente diferente.
é, esse post é bem desconexo só pra jogar uns pensamentos soltos, uns desabafos. essa semana pensei tanto nessa coisa de tempo. porque as duas últimas passaram rápido demais, e o semestre daqui a pouco tá acabando e é assustador pensar que de repente eu to no terceiro período. cara, eu acabei de entrar na ufes! e já tem dez anos que a gente vive sem o Seu Paulo aqui em casa. eu ainda lembro de várias coisas, dos domingos a noite, das praias, das manias, apesar de não prestar muita atenção nesses detalhes... afinal, eu era só criança. eu tinha só oito anos. e eu lembro de me pegar chorando na cozinha há uns dois anos atrás de saudades. e agora vem a mesma vontade, mas junto com uns outros tantos sentimentos.
e aí nós estamos fazendo o espetáculo-homenagem no fim do ano, e várias coincidências bizarras estão acontecendo, e de eu sentir - e eu não acredito muito nessas coisas - que ele quer que eu também esteja participando do projeto. do tipo a gente adaptar o conto "A Noite em que John Lennon morreu" pra teatro e marcar o espetáculo exatamente no dia em que ele foi assassinado. e isso foi sem querer, só percebemos depois.
pelo menos fica registrado aqui que, há dez anos atrás, morria um cara que tão cheio de idéias inacabadas poderia tanto contribuir com a cultura capixaba. com o jornalismo já não sei bem...

acho que o relato ficou muito superficial. mas é, não estou inspirada esses dias.

por fim, pra saber mais sobre a vida
leiam o Caderno Dois de hoje, que tem o mesmo título desse post.

Sunday, October 09, 2005

silenciosamente

como resistir à vontade de ouvir música sem parar,
de esperar o telefone tocar,
de ficar conversando a tarde inteira,
de ir no cinema,
de ver televisão,
de ler o livro que eu quero,
de estar com meu alguém especial,
de sair pra comer sushi.

ainda assim tenho que estudar pras duas provas que se aproximam essa semana...

a vontade de não fazê-lo é infinita.
Nada de Jesus Martin-Barbero e suas idéias confusas.
Nada de palavras complicadas em francês.

medo de jogar tudo pro alto e a vontade imensa toma meu corpo.
o vento vai dizer lento o que virá.

Monday, October 03, 2005

fora da ordem

do nosso amor, a gente é quem sabe, pequena.
[sem saber que o fim já vai chegar]





fala poesia baixinho no meu ouvido.

Sunday, October 02, 2005

a vida é curta pra ver

eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu não sei quem sou

Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim


quando achei que estava tudo assim, diferente, me senti do mesmo jeito. considerando os sentimentos diversos, pensando nos outros,
acima de mim.
afinal, a gente não consegue mudar facilmente a essência.


pra nós, todo amor do mundo.
pra eles o outro lado.

to com saudades de algo que posso ter destruido.
aquelas decisoes estranhas do dia a dia.

sempre eu.



experimentações

Nada é verdadeiro, tudo é permitido! Este mote, geralmente atribuído à fantástica figura de Hassan-i-Sabbah, é o estandarte da mais jovem das correntes mágicas ocidentais: a Magia do Caos. Transcendendo o conceito ortodoxo de "ocultismo", os Caoístas procuram transmutar todos os aspectos de sua existência em atos deliberados de criação, destruição e diversão. Para isto, misturam Magia, Ciência e Arte, evitando sempre cair na armadilha de levar qualquer coisa demasiadamente a sério. Seja bem-vindo às marés do Caos, onde todo homem é Shiva e toda mulher é Kali.


essa sou eu, que ouvi tantas idéias essa semana. de outros pensamentos, de ter uma visão de mundo sendo mudada, de estar perdida. e a internet é um mundo caótico de veiculação de informações e existe tanta coisa que cansa só de pensar.


www.rizoma.net

*em homenagem a Betão e Graize.

Wednesday, September 28, 2005

love me two times

já não me importa mais se está certo,
estou cansada de pensar demais,
tomar decisões vazias.
o que posso dizer?

- que seja eterno enquanto dure...


the time to hesitate is through
there's no time to wallow on the mire
try now we can only lose
and our love become a funeral pyre
come on baby light my fire
come on baby light my fire
try to set the night on.. fire

Monday, September 26, 2005

aponta pra fé

talvez seja a onda de inquetude que ronda os meus amigos,
mas eu quero mesmo, e que seja agora.
quero uma banda de novo,
quero o sarau,
quero todas as coisas lindas que tocam a alma,
quero todos os planos cuspidos no sábado a noite,
todas as lágrimas que vão cair,

quero a vida até o fim.

quero me divertir mais com vcs, que fazem sempre um sorriso. mesmo que seja na fúria do vazio, na contradição eterna,
já não importa tanto assim mais.

sobre estar só,
eu sei
nos mares por onde andei... devagar
dedicou-se, mas
o acaso a se esconder
e agora, o amanhã

cadê?

Saturday, September 24, 2005

a que será que se destina

quem é você
pra me chamar aqui
fingir que nada aconteceu, me diz
foi só amor
ou medo de ficar sozinho outra vez?


vontade de passear pela cidade de bicicleta hoje. de nao exitirem mais ruas e nem carros, só pessoas.

Thursday, September 22, 2005

back to the stars

dia cheio.

despertador que não existe. vinte minutos no ponto. nomadismo que incomoda de fabio malini. filosofia que dá nó no cérebro. aula perdida com assembléia. reunião furada. almoço com todo mundo. beijo com gosto de feijão. últimos dois reais em xerox. labcom a tarde inteira sem preocupações. reunião de formação de chapa pro ca. quatro esfirras deliciosas e mais o refresco. as histórias mais divertidas de todas de léo viso. bom humor até o fim.

Tuesday, September 20, 2005

de outras paisagens

um brinde ao dia muito estranho em que nos encontramos, vulgo 20 de setembro de 2005.

sim. o dia amanheceu cinza, estava muito frio no meu quarto e muito quente na rua. a aula foi boa, eu estou com uma vontade incontrolável de entrar na biblioteca e devorar livros, tirar xerox, mas ela ainda está fechada. ok. quando eu estava indo embora, algumas coincidencias - que de algum modo foram estranhas. uns timings errados, perdidos no tempo. e eu odeio essa coisa de timing, sempre tá tudo errado. fiz uma coisa que eu queria ha tempos: pegar um onibus e ir pra outro lado, que nao seja o de todo dia. andar bastante, ver pessoas, lugares, conhecer a outra cara da cidade. fui até a faesa, e foi assim, do jeito que se imagina onibus que vai pra lugar pobre: crianças chorando no onibus, pessoas feias e aparentemente sem vaidade, pessoas cansadas, olhos fundos, velhos, uma mãe bem jovem com três filhos mais ou menos da mesma idade, as crianças sem camisa, suadas e sujas. o bairro (ou os bairros) é assim: nunca acaba. existem pelos menos uns 5 são pedros. as casinhas são pintadas com tintas pálidas, amontoadas, algumas são só de tijolo. existem muitas lojinhas que vendem de tudo, muito botecos, salões de beleza em que há menos beleza. mas de algum modo, o bairro tem um clima gostoso; das pessoas que vivem lá, felizes de seu modo, das crianças que brincam de pipa na rua, dos velhos que contam as histórias antigas, das moças que lavam roupa, existe um quê de sentimentos bons, ar puro, que faz São Pedro ficar bonita a seu modo. quando desci do ônibus, eu estava num lugar totalmente estranho pra mim e nunca me senti tão perdida por pelo menos uns 10 segundos, sem saber mesmo o que fazer, porque a faesa nem dava sinais de onde era. foi quando a moça loira que saltou junto comigo me perguntou: voce sabe onde é a faesa? ela é mãe de uma menina surda e estava indo na faesa fazer um exame no centro clínico. quase paguei o cartao telefonico pra ela, mas tinha pouco dinheiro. ela foi pelo caminho me contando que morava com três velhinhas e tomava conta delas, fazia comida, dava banho e botava pra dormir, e ela estava cansada hoje porque uma das velhinhas tinha ficado contando histórias pra ela a madrugada toda. acho que de algum modo ela não gostou de eu a ter acompanhado até a faesa, porque foi embora sem olhar pra trás. o cara simpático da guarita me deu carona até a biblioteca num caminhãozinho velho. fiquei três horas pesquisando, mas três horas que pareceram uma, no máximo. enfim, quando já estava anoitecendo, tentei ver o por-do-sol - que lá deve ser lindíssimo - mas pra mim, o sol nao saiu hoje. a manhã só foi manhã porque assim foi decidido e o sol nao se pôs: simplismente escureceu. ainda bati um papo com a moça do carrinho de pipoca e peguei um 302 até a ufes. cheguei lá e tudo aconteceu ao contrário do que eu achei que ia ser. todas a conclusoes ruins que eu tinha tirado de manhã, e agora parecia que era tão ruim que eu queria esquecer e viver até o fim só. mas nada aconteceu. a aula acabou cedo, caiu uma chuva brutal, e por fim, meu tio-avô morreu e os sentimentos que me invadiram foram de tal modo estranha que tudo que eu quero agora é ficar quietinha só eu. eu passei a tarde inteira só comigo, pensei demais - eu sempre penso demais quando fico sozinha - e eu só não me basto. preciso de todos pra não divagar demais e enlouquecer, ver de um modo áspero toda a realidade que pode ser tão mais fantasiosa. mamãe e vovô viajam amanhã de manhã e tá chovendo e eu tenho medo de avião por todos que neles viajam. sim, foi um desabafo, que ensaiei durante todo o dia pra fazer. vontade de me jogar lá pra longe e não(?) voltar.

sem par

a noite invade escura,
enquanto o céu desaba.

nada passou de desejo perdido no ar.