Monday, April 26, 2010

começa inverno,

tinha 22 anos e acreditava que, realmente ali, naquele ponto da vida, o amor havia chegado pra ficar. sonhava com casamentos, vestidos de noiva e evitava viver seu romance ao fantasiar da vida de outras pessoas. é que ela gostava de pegar emprestado as pequenas gotinhas de sonhos derramadas por aí em livros, filmes e músicas e guardar só pra si. mas eu, olhando assim pra ela, naquela luz de fim de noite, achei que ela era triste e só. de repente, no meio de uma gargalhada gostosa, ela percebeu que havia finalmente chegado o fim, aquele triste e doído fim que também está nos livros, filmes e músicas. pintou o céu de cinza, desistiu do amor, do véu e da grinalda e "nunca mais conseguiu encontrar o amor", porque era fatalista e achava que, àquela altura, no auge dos seus quase 23 anos, a vida já tinha decidido os próprios caminhos.

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1 comment:

Francisco Augusto VIII said...

oh! Que surpresa!
Gosto de pessoas que têm uma consciência de si... sutil, irônica...
Como ouvi um dia um amigo dizer: temos a mania de querer decidir a vida dos vinte aos trinta anos... e nos desesperamos, pesamos cada acontecimento e decisão, querendo um amadurecimento que, na verdade, ou sempre acontece ou nunca chega...
beijos em seu sorriso, menina de nuvem