Tuesday, September 20, 2005

de outras paisagens

um brinde ao dia muito estranho em que nos encontramos, vulgo 20 de setembro de 2005.

sim. o dia amanheceu cinza, estava muito frio no meu quarto e muito quente na rua. a aula foi boa, eu estou com uma vontade incontrolável de entrar na biblioteca e devorar livros, tirar xerox, mas ela ainda está fechada. ok. quando eu estava indo embora, algumas coincidencias - que de algum modo foram estranhas. uns timings errados, perdidos no tempo. e eu odeio essa coisa de timing, sempre tá tudo errado. fiz uma coisa que eu queria ha tempos: pegar um onibus e ir pra outro lado, que nao seja o de todo dia. andar bastante, ver pessoas, lugares, conhecer a outra cara da cidade. fui até a faesa, e foi assim, do jeito que se imagina onibus que vai pra lugar pobre: crianças chorando no onibus, pessoas feias e aparentemente sem vaidade, pessoas cansadas, olhos fundos, velhos, uma mãe bem jovem com três filhos mais ou menos da mesma idade, as crianças sem camisa, suadas e sujas. o bairro (ou os bairros) é assim: nunca acaba. existem pelos menos uns 5 são pedros. as casinhas são pintadas com tintas pálidas, amontoadas, algumas são só de tijolo. existem muitas lojinhas que vendem de tudo, muito botecos, salões de beleza em que há menos beleza. mas de algum modo, o bairro tem um clima gostoso; das pessoas que vivem lá, felizes de seu modo, das crianças que brincam de pipa na rua, dos velhos que contam as histórias antigas, das moças que lavam roupa, existe um quê de sentimentos bons, ar puro, que faz São Pedro ficar bonita a seu modo. quando desci do ônibus, eu estava num lugar totalmente estranho pra mim e nunca me senti tão perdida por pelo menos uns 10 segundos, sem saber mesmo o que fazer, porque a faesa nem dava sinais de onde era. foi quando a moça loira que saltou junto comigo me perguntou: voce sabe onde é a faesa? ela é mãe de uma menina surda e estava indo na faesa fazer um exame no centro clínico. quase paguei o cartao telefonico pra ela, mas tinha pouco dinheiro. ela foi pelo caminho me contando que morava com três velhinhas e tomava conta delas, fazia comida, dava banho e botava pra dormir, e ela estava cansada hoje porque uma das velhinhas tinha ficado contando histórias pra ela a madrugada toda. acho que de algum modo ela não gostou de eu a ter acompanhado até a faesa, porque foi embora sem olhar pra trás. o cara simpático da guarita me deu carona até a biblioteca num caminhãozinho velho. fiquei três horas pesquisando, mas três horas que pareceram uma, no máximo. enfim, quando já estava anoitecendo, tentei ver o por-do-sol - que lá deve ser lindíssimo - mas pra mim, o sol nao saiu hoje. a manhã só foi manhã porque assim foi decidido e o sol nao se pôs: simplismente escureceu. ainda bati um papo com a moça do carrinho de pipoca e peguei um 302 até a ufes. cheguei lá e tudo aconteceu ao contrário do que eu achei que ia ser. todas a conclusoes ruins que eu tinha tirado de manhã, e agora parecia que era tão ruim que eu queria esquecer e viver até o fim só. mas nada aconteceu. a aula acabou cedo, caiu uma chuva brutal, e por fim, meu tio-avô morreu e os sentimentos que me invadiram foram de tal modo estranha que tudo que eu quero agora é ficar quietinha só eu. eu passei a tarde inteira só comigo, pensei demais - eu sempre penso demais quando fico sozinha - e eu só não me basto. preciso de todos pra não divagar demais e enlouquecer, ver de um modo áspero toda a realidade que pode ser tão mais fantasiosa. mamãe e vovô viajam amanhã de manhã e tá chovendo e eu tenho medo de avião por todos que neles viajam. sim, foi um desabafo, que ensaiei durante todo o dia pra fazer. vontade de me jogar lá pra longe e não(?) voltar.

2 comments:

dora said...

Luh! Eu juro, acho que só não chorei por que estou com tanto sono e ou os palhitinhos seguram meus olhos abertos (no melhor estilo Tom & Jerry) ou eu choro. Infelizmente não dá pra ter tudo na vida.
Eu confesso que passei aque só pra te avisar que eu desativei (ou quase, por que na verdade não tirei do ar, só parei de usar) meu blog passdo, o Universo Paralelo e reativei o meu blog passado², doratuk.blogspot.com. Mas aí pensei, "pô, comentar só pra falar com ela pra mudar o link do blog e não fazer nenhum comentário sobre o post é sacanagem, né? tenho que ler.".
E, confesso, quando eu comecei a ler, tudo parou. Nossa, rolou uma sintonia muito grande entre a minha pessoa e o seu texto. E sei que o desfeixo não foi so good, mas quando for repetir isso (de pegar e andar aleatoriamente. andar e ver "outra" realidade, me chama. Tenho muita vontade de fazer isso, mas estou muito racional e consciente, aí quando penso em fazer, penso demais e acabo desistindo.
Bom enfim, acho que já deu, né?
Smack, little girl. =D

Leo ViSo said...

O Por-do-Sol do outro lado da Baía de Vitória é lindo, ver o a luz se esconder atrás do Moxuara é talvez o grande trufo do Campus... Confesso que as vezes sinto falta daquela paisagem... (e dos poucos amigos que ainda estudam/trabalham lá, mas eles dá pra ver por aí)...Abraços e Obrigado por deixar a campanhia de "vc mesma" e ir lá no lançamento!