Tuesday, September 13, 2005

enecom 2005

...sob a ótica de uma menininha qualquer.

(sem detalhes, porque detalhes e histórias se contam ao vivo)

1. das primeiras impressões
que nós vamos dormir numa sala junto com nossa delegação e milhares de outros estados do nosso lado. Que a comida do ru é boa mas o arroz tem um gosto estranho. Que eu estou de ressaca moral ainda, mas daqui a pouco passa. Que o banho é no banheiro coletivo, eu estou de biquíni e tenho vergonha de tirar, mas que se foda, ninguém se importa mesmo. Que eu não sei onde estão as cantinas desse lugar. Que eles falaram de revolução socialista no primeiro painel e eu estou com medo. Que será que eu sobrevivo até o fim e as expectativas são bem grandes.

2. dos painéis
olha como eles fazem discurso bonito. Eu anoto tudo, sabe, talvez assim eu aprenda, nem que seja por osmose. A discussão é sempre interessante, a Heloísa Helena fala frases prontas mas empolga todo mundo, o vereador do RJ responde tão bem as perguntas. Eu tenho problema com nomes, nunca consigo lembrar nenhum nome e como vai ser isso na minha vida se eu não lembro os nomes dos palestrantes e autores?
Comunicação alternativa é o que há. Sou ingênua e me levo pela fala dos outros mesmo, vamos fazer uma rádio livre pela internet e entrar no site do centro de mídia independente (http://www.midiaindependente.org/) porque é tão interessante.
Cultura popular tinha tudo pra ser ótimo mas os caras todos falavam com o mesmo tom de voz e o ícone da cultura alagoana só falava que a história do Guerreiro Treme Terra é lindo, é bater o pé no chão, é cantar e é uma beleza e não dá pra contar a história aqui e contou sobre a família e tudo mais.
Qualidade de formação deve ter sido muito bom... a quarta feira foi livre e nós fomos na praia, porque sim, nós também fazemos turismo mesmo sendo “interessadinhos” nos espaços e tudo mais e aí chegamos tarde e só vimos a parte das perguntas e a professora explicava tudo com uma empolgação grande e acabou sendo interessante.

3. das festas
E agora vem a expectativa e minha comparações com o enep são inevitáveis, mas aqui é alagoas e nós estamos tão longe quanto podíamos estar da nossa terra. Aqui não tem Na Palma, mas tem Dr. Charada, não tem Xamã do Raul mas tem Urubu e alguma coisa (eu sou realmente péssima pra nomes) e tem maracatu com rock e é muito legal a tal da banda Mr. Frizo. O engraçado é que eles vendem tudo como frozzen, é eles batem tudo com gelo e minha garganta acabou depois de 7 dias bebendo gelo. A cerveja sempre acaba no auge do rock e sempre chega quente e as pessoas que bebem cerveja desanimam um pouco. Quando a gente menos espera o pernambuco resolve fazer festa e o espaço das “cantinas” fica lotado e pessoas de todos os tipo, carros de som brigando, nossos amiguinhos de lá falando com a gente, melzinho com cachaça e tudo mais. Sim, a bahia tentou, mas as “cantinas” são o espaço que o pessoal gosta e todo dia alguém procura por festa lá. Os olhares se cruzam o tempo todo, eles querem e elas querem mais, mas o encontro tem 1500 pessoas e eu não sei onde elas estão.

4. dos espaços
Foram bastante interessantes, é eu digo. Desde montar a rádio livre no ru até trocar experiências de currículos com pessoas do Brasil todo. Aprender a jogar malabares foi divertido e cantar, andar e cruzar a Ufal todos os dias. As coisas aconteciam ao mesmo tempo e a gente ficava triste que não deu pra ver os curtas direito. E a democracia até funciona, mas dá um trabalho imenso e requer tempo que ninguém agüenta (mas isso não é regra). De incitar uma discussão sem querer a meia noite na cantina e ficar até as 2 da manha sem momento de ver o fim foi divertido – e isso sim, é estranho.

5. do enecom
(e esse texto foi escrito lá, no final)
Dias de caneca. De viver junto só com os amigos. De deixar pra trás tudo que eu quero esquecer e não consigo nunca. De sentir uma parte a menos e ganhar algo a mais. De amor efêmero e de algum modo marcante. De sentimentos estranhos, de sorrir, estar e não ser. Da saudade de qualquer coisa perfeita, de viver sem nenhum contato com eles daqui. Chega ao fim, mas não quero. As pessoas há muito estão cansadas, as atividades esvaziadas, mas voltar pra quê. De viver no mundo de cá que parece fantasia, ilusão diferente, de saber de muitos.
A comida do RU já quase enjoou e a rotina já é quase gostosa. Finalmente as pessoas se conhecem e conseguem já cantar juntas. As camas estão cheias de areia, a bagunça toma conta do espaço, é quase impossível viver aqui. Mas as pessoas não ligam, botam seus óculos escuros, andam por aí e hoje é dia de saia, mais um dia depois dos tantos de festas, debates, confusões e confraternizações.
Já saudades.

5 comments:

Anonymous said...
This comment has been removed by a blog administrator.
Anonymous said...

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*Clara* said...

haha uma bela hora para soltar um 'contraditório-porém-bem-oportunista"
"amo muito tudo isso"
e amo por você também.

Leo ViSo said...

Hummm,Maceiuo, maceiuo!!!Não voucomentar aqui pq comento com vc,mas o 1º encontro sempre é o mais marcante, a gente sempre se entrega mais nele... volta sentido tão bem, com tantos amigos em tantos lugares... e assim a gente acaba querendo ir no 2º,3º... qnd ver está viciado!!!

abrsço

OBS: removeu um coment lá em cima? como assim?

Kérols said...

ei moça se vc lançar um livro eu juro que compro!

:*